Janeiro e o Câncer de Colo de Útero – Dr. Max Strasser

Janeiro e o Câncer de Colo de Útero – Dr. Max Strasser

A cada ano, mais de 16.000 mulheres são diagnosticadas com câncer de colo de útero. Destas, cerca de um terço vão morrer pela doença. Entretanto, o câncer de colo uterino é uma doença muito fácil de ser diagnosticada, com chances altas de prevenção e cura, graças ao exame de Papanicolau e à vacinação contra o HPV (Papiloma Vírus Humano).

A infecção genital por esse vírus é muito freqüente e não causa doença na maioria das vezes. Mas, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer.

Antes de se tornar maligno, o que pode levar muitos anos, o tumor passa por uma fase de pré-malignidade, denominada NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical), que pode ser classificada em graus I, II e III de acordo com a gravidade do caso. Por isso, é extremamente importante a realização periódica do exame de prevenção, o Papanicolaou.

A prevenção do câncer de colo de útero está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV. A vacina tetravalente contra o HPV é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às meninas de 9 a 14 anos e aos meninos de 11 à 14 anos. Essa vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.

No entanto, a vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos (causadores de câncer) do HPV. Dessa forma, todas as mulheres com mais de 25 anos deverão fazer o exame preventivo periodicamente. A camisinha (Masculina ou Feminina), em todas as relações sexuais é um cuidado indispensável contra a infecção não só pelo HPV, mas também por outros agentes de doenças sexualmente transmissíveis.

O tratamento dos tumores de colo de Útero depende de vários fatores: tamanho e estagio da lesão; idade e condições clínicas da paciente e desejo ou não de ter filhos. A cirurgia normalmente é indicada em lesão localizada somente no colo do útero e pode ser radical (retirada total do útero) ou conservadora (conização – CAF). Nos casos em que a doença avança para a vagina ou invade ligamentos próximos ao colo uterino, a Radioterapia é, usualmente, o tratamento de escolha podendo ser ou não associada à quimioterapia.

A Radioterapia somada a Braquiterapia (Radioterapia interna) promove a destruição das células tumorais, levando ao desaparecimento ou à redução do tumor. Com a evolução técnica da radioterapia, atualmente é possível oferecer doses altas e significativas no tumor, preservando órgãos sadios adjacentes como a bexiga e o intestino. Assim, os efeitos colaterais decorrentes da inflamação causada pela radiação nestes órgãos são reduzidos e muitas vezes suprimidos.

Técnicas modernas de Radioterapia como a Radioterapia com Intensidade Modulada de Feixe (IMRT) permitem um direcionamento preciso da radiação. Além de oferecer benefício quanto aos efeitos colaterais da radioterapia, estudos recentes têm demonstrado melhora na qualidade de vida das pacientes que foram submetidas à essa técnica.

O Estudo RTOG 1203, publicado recentemente na revista Journal of Clinical Oncology avaliou mais de 270 pacientes que foram submetidas à Radioterapia pélvica por tumores de útero e colo uterino comparando a Radioterapia padrão (conformacional com 4 campos) e a técnica de IMRT. Os resultados mostraram uma redução significativa nos efeitos colaterais intestinais e urinários no grupo de pacientes que realizou a Radioterapia com IMRT.

Esse trabalho é mais uma evidencia estatística que vem confirmar o que nós, médicos Radio-oncologistas observamos na nossa prática clínica diária: pacientes que são submetidas à tratamento que envolvem alta tecnologia apresentam melhores resultados com menos efeitos colaterais e menores complicações durante e após a radioterapia.

Vale sempre ressaltar: quanto mais precoce o diagnóstico, melhores as possibilidades terapêuticas e as chances de cura!! Faça seu exame ginecológico periódico! Informe-se sobre a vacina contra o HPV!

Max Strasser é médico Radio-oncologista da UNICAMP e da clínica Luthes Radioterapia de Sorocaba – SP.

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