Mastites e amamentação | Dra. Alice Francisco

A mastite é uma inflamação da mama que pode ser ou não acompanhada de infecção – ou seja, nem sempre haverá bactérias na glândula mamária. Durante a amamentação, ela pode ser causada por leite parado nos ductos mamários ou por lesões no mamilo. De 10 a 20% das mulheres desenvolvem pelo menos um episódio de mastite durante o período de amamentação. Na maioria dos casos, ocorre nos três primeiros meses pós-parto, mas pode ocorrer em outros períodos também. As mastites são causadas por diversos microrganismos, sendo a bactéria Staphylococcus aureus o agente mais comum, responsável por mais da metade dos casos.

O principal fator de risco para a mastite puerperal é a estase láctea, ou seja, a permanência de leite parado nos ductos mamários por muito tempo. A estase do leite pode ocorrer por alguma obstrução de ductos ou por esvaziamento incompleto da mama pelo bebê durante a amamentação. Outro fator importante são as fissuras do mamilo, que favorecem a invasão de bactérias da pele para dentro da mama.  

A mastite puerperal apresenta como principais sintomas o endurecimento em um certo ponto da mama (“leite empedrado”), vermelhidão, dor, cansaço, calafrios e febre alta. O quadro costuma começar de forma leve, primeiro com o endurecimento de uma região da mama, indicando estase do leite neste local.

Se a mastite for detectada bem no início, a dor pode ser controlada em casa, com o manejo da mama afetada. A primeira providência é esvaziar a mama com ordenha manual ou com bomba. Mães que não se sintam seguras para fazer isso por conta própria podem procurar ajuda de um banco de leite, uma consultora ou ajuda médica para direcionar os cuidados. Anti-inflamatórios e analgésicos podem auxiliar nesta fase.

Tudo correrá bem se for um caso de mastite não bacteriana. Mas, caso a febre não cesse em 24 horas, é imprescindível passar por uma avaliação médica. A mastite pode ser bacteriana, e pode ser necessário o uso de antibióticos. Mesmo se estiver com dores, o recomendado é manter a amamentação durante todo o processo. Quem melhor pode drenar a mama corretamente e garantir o esvaziamento e ajudar a acelerar a cura é o bebê. A suspensão do aleitamento favorece ainda mais o ingurgitamento da mama e a proliferação das bactérias. O esvaziamento mamário frequente é essencial para o sucesso do tratamento.

Em relação à segurança do bebê, não há com que se preocupar. O leite materno é muito rico em anticorpos e substâncias antibacterianas. Além disso, a acidez do estômago do bebê se encarrega de destruir as bactérias e toxinas que possam ser ingeridas. Portanto, o aleitamento durante a mastite puerperal não só é permitido, como também indicado.

É possível evitar a mastite?

Como as causas da mastite são conhecidas, ela é facilmente evitável. Primeiramente, não deixe intervalos muito grandes entre as mamadas, para impedir que o leite fique parado. Também é preciso se certificar de que as mamas sejam totalmente esvaziadas ao final de cada mamada. Alternar as mamas a cada mamada também é importante. Observar também a pega correta pelo bebê, já que a falha desta causa as fissuras nos mamilos. O bebê deve ficar com a boca bem aberta e os lábios virados para fora, abocanhando toda a aréola, e não apenas o mamilo. A pega correta garante o sucesso da amamentação exclusiva até os seis meses de vida do bebê, conforme a orientação da Organização Mundial da Saúde.

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