Vacinação no paciente oncológico |Dra. Gabriela Filgueiras Sales

Você sabe o que é Vacina? E que existem tipos diferentes de Vacina? E que quem está em tratamento oncológico pode tomar Vacina? Pois bem , vamos falar um pouco desse tema tão polêmico nessa época do ano.

As vacinas são produtos biológicos que protegem as pessoas de determinadas doenças. Sua função é estimular uma resposta imunológica do organismo, que passa a produzir anticorpos sem ter contraído a doença.

São constituídas por agentes patógenos (vírus ou bactérias que causam doenças) previamente atenuados ou mortos ou por fragmentos desses agentes. 

As vacinas são muito eficientes para prevenir diversas doenças, como hepatite, gripe, tuberculose e rubéola. Graças ao sucesso das campanhas de vacinação, a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é considerada erradicada do Brasil desde 1989.

As vacinas atenuadas são: sarampo, caxumba, rubéola, varicela, febre amarela, herpes zoster, poliomielite oral (Sabin), rotavírus e BCG. Essas vacinas não devem ser usadas em pacientes com câncer. É preciso lembrar que pacientes em quimioterapia a imunidade pode ficar muito baixa, suscetíveis a infecções fatais por microrganismos que vivem em nosso próprio corpo, incapazes de formar uma reposta ou memória imunológicas. 

As vacinas que podem ser usadas em pacientes com câncer, mas que não estejam em quimioterapia ou qualquer terapia imunossupressora, são as feitas com microrganismos mortos ou toxinas de microrganismos ou proteínas de sua composição: vacinas pertussis de células inteiras ou a acelular; vacinas inativada poliomielite; tétano; difteria; alguns subtipos de influenza; hepatite A; hepatite B; HPV; pneumococo e meningococo.

Algumas perguntas frequentes a nós médicos:

– O paciente com câncer pode tomar a vacina contra a febre amarela? Se o paciente morar em área de risco, ele não pode tomar mesmo assim?

A vacina de febre amarela é feita a partir de vírus vivo atenuado. Em pessoas com imunidade comprometida, como é o caso de pacientes com câncer, o uso dessas vacinas pode acarretar no aparecimento de febre amarela vacinal, ou seja, causada pela cepa de vírus que constitui a vacina. Assim, seu uso não é recomendado nesses pacientes mesmo em áreas de risco. A chance de se desenvolver a doença por meio do vírus da própria vacina acaba sendo maior do que o risco do contágio ambiental.

– Se o paciente oncológico sofrer um ferimento e necessitar tomar, por exemplo, a vacina antitetânica, ele pode?

A vacina antitetânica é feita a partir de da toxina liberada pela bactéria que causa   tétano. Assim, o paciente com câncer que se acidentou e necessita de aplicação da vacina antitetânica poderá fazê-lo. 

– E a vacina contra o H1N1(Vacina da gripe), é recomendada?

A vacina contra a infecção do H1N1 é feita a partir de vírus mortos e pode ser usada em pessoas com câncer. Inclusive, estudos da literatura médica mostram que pacientes com câncer hematológico boa capacidade de gerar resposta imunológica satisfatória contra o vírus do H1N1 quando comparados aos que não receberam vacina.

– É importante que os parentes do paciente oncológico estejam com a carteira de vacinação em dia?

Sim. Existe um conceito chamado de imunização de rebanho que nos mostra que em uma dada população, se alcançarmos um número certo de pessoas imunes a certa doença, toda a população estará protegida. Nesse conceito, o número de pessoas vacinadas é inferior ao número total de indivíduos da população. Portanto, se conseguirmos vacinar o maior número possível de pessoas em uma certa população, maiores nossas chances de tornar toda aquela população imune, mesmo que nem todos os indivíduos tenham recebido a vacina. Assim, se as pessoas próximas a um paciente com câncer estiverem vacinadas e imunes a certa doença, a chance dessa mesma doença acometer o paciente é muito pequena.

Dicas para tomar vacina da gripe :

– A resposta a vacina é melhor quando ela é tomada fora dos ciclos de Quimioterapia. O ideal é fazer a imunização até duas semanas antes do início do tratamento.  Caso a vacina seja tomada depois desse período , deve se considerar repetir a dose três meses após o término de todo o tratamento.

– Administração da vacina NÃO deve ser feita no mesmo dia da Quimioterapia.

-Não devem tomar a vacina os pacientes com alergia a proteína do ovo, alergia a uma imunização anterior ou com quadros específicos de alterações , como baixo nível de plaquetas.

-Para garantir a segurança do procedimento e evitar problemas , é fundamental discutir cada caso com o Oncologista responsável.

Além da vacinação existem outras medidas importantes para a prevenção da gripe e outras doenças como:

-Lavar frequentemente as mãos com bastante água e sabão ou desinfetá-las com álcool em gel.

-Evitar aglomerações e eventos em lugares fechados.

-Manter distância de pessoas doentes.

-Evitar levar as mãos aos olhos, boca ou nariz depois de contato com objetos de uso comum.

-Não compartilhar copos, talheres ou objetos de uso pessoal.

-Manter o ambiente ventilado para boa circulação do ar.

-Pessoas gripadas ou resfriadas, enquanto tiverem sintomas, não devem visitar os pacientes hospitalizados.

Fonte:

-Organização Mundial de Saúde

-Oncoguia

-Vencer o Câncer

-Dr Drauzio Varella

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